domingo, 10 de maio de 2015

O terror

Nadava num mar estanhado cor de cinza com a consistência e aparência de chumbo derretido, a vaga mole e larga ondulava a superfície fazendo -me balouçar docemente e elevando um pouco de modo que podia ver a faixa da areia um pouco antes do horizonte e encimada por um renque de árvores de copa ver. Nadava devagar sentindo as presenças á minha volta, vultos que passavam esguios junto de mim, vultos negros e imensos. A inquietação a aumentar, a transformar-se no medo, a escalar para o terror.
Na minha imaginação eu via a fauces horrendas cheias dentes dos tubarões assassinos que me rodeavam, já não consegui nadar, já não os via, apenas os sentia. A sua presença era marcante mas sem nunca se mostrarem, passavam junto e encobertos pela água transformada em chumbo que impedia a minha natação, tolhia-me os movimentos. Abria a boca para gritar e não conseguia arrancar nenhum som da minha garganta, o medo apertava, o terror esmagava-me e eu sentia-me cada vez mais indefeso.
A superfície do mar cor de cinza ondulava e eu já nada fazia, sobrava apenas o terror quando uma sombra enorme avançou, rápida e mortífera, vinda na minha direcção até se transformar numa fiada de dentes...
Acordei alagado em suor, coração palpitante, trémulo. Tinha sonhado outra vez com o mar de chumbo cor de cinza deixando-me abalado, tonto. Só me restava voltar a dormir, o próximo pesadelo já estava á espreita.


10 de Maio de 2015

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Nobita escreveu: