A cena passou-se na Beira, Moçambique.
Naquele tempo por imposição paternal íamos á missa do Galo no Natal, o que era uma chatice pois atrasava a abertura dos presentes e diga-se de passagem, também nunca fui muito de ir á missa.
Regressávamos a casa vindos da catedral da Beira, entrámos na rotunda do cinema S.Jorge, era noite de Natal, quando vimos, á esquerda, sentado num muro baixo um homem com a cabeça entre as mãos. Chorava desconsoladamente.
Nunca soube a razão e nunca me esqueci dessa cena. Todos os Natais lembro-me dela...
Hoje desejo que essa criatura tenha encontrado a paz que merece.
Refúgio de um animal acossado pelos seu próprio intelecto, que, pelo que parece, não deve ser muito elevado...
sexta-feira, 24 de dezembro de 2010
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
O velho
a criança queda-se assustada
são nuvens negras de tempestade
sossega o velho
sentando-se e olhando
com desalento
observando a tormenta que se aproxima
a chuva já corre em rios
de miséria podre
juntando-se ás lágrimas do velho
cheiro pestilento de fezes
de carneiros assustados
trovões ribombando nos céus
iluminando a cara do velho
chora a vida que perdeu
pelo engano insidioso
pelos caminhos tortuosos
adocicados
da traição
o velho chora
a criança jaz morta a seus pés
inerte e fria
como a sua alma
cambaleia para o seu destino
trôpego e velho
desgastado
olhar insano
rugas de dor rugindo nas suas entranhas
tropeça nas pedras
de uma calçada imensa
caminho de um calvário
cruzes que carrega
com o coração cravejado de espinhos
pontas lacerantes
penetradas na carne
profunda
infectada
podre
o velho caminha
rumo ao azul
onde já nada brilha
frio
morto
mas sem o saber
são nuvens negras de tempestade
sossega o velho
sentando-se e olhando
com desalento
observando a tormenta que se aproxima
a chuva já corre em rios
de miséria podre
juntando-se ás lágrimas do velho
cheiro pestilento de fezes
de carneiros assustados
trovões ribombando nos céus
iluminando a cara do velho
chora a vida que perdeu
pelo engano insidioso
pelos caminhos tortuosos
adocicados
da traição
o velho chora
a criança jaz morta a seus pés
inerte e fria
como a sua alma
cambaleia para o seu destino
trôpego e velho
desgastado
olhar insano
rugas de dor rugindo nas suas entranhas
tropeça nas pedras
de uma calçada imensa
caminho de um calvário
cruzes que carrega
com o coração cravejado de espinhos
pontas lacerantes
penetradas na carne
profunda
infectada
podre
o velho caminha
rumo ao azul
onde já nada brilha
frio
morto
mas sem o saber
sábado, 11 de dezembro de 2010
Sono
Estou com sono
cansado
turbilhões rodopiam
loucos
pensamentos insanos
apetece-me encostar a cabeça
numa pedra
macia
adormecer sem sonhos
sem mágoas
cansado
sem forças
os olhos a arder
de lágrimas teimosas
salgadas
ácidas
áridas de paixão
soltas de emoção
Pedra branca e fria
macia como um seio
fria como o seio
de uma Vénus de mármore
inerte e morta
Encolho-me e espero
O sorriso que não vem
a carícia ausente
os olhos fecham-se lânguidos
de desilusão
Estou com sono e a vida embala-me
Quero dormir e não me deixam
Pequenos fantasmas me assolam
mente desgarrada que não acredita
que se agarra
loucamente
ao cabo levado pela corrente
sobre as vagas que embalam
a um sono profundo
Estou com sono
Sentado olho sem ver
imagens e números
tela branca
macia e árida
com o seio de um estátua de mármore
Soluço, um simples soluço
E vejo o azul, frio
coberto de espuma
branca e fria
como o seio
de uma estátua de mármore.
cansado
turbilhões rodopiam
loucos
pensamentos insanos
apetece-me encostar a cabeça
numa pedra
macia
adormecer sem sonhos
sem mágoas
cansado
sem forças
os olhos a arder
de lágrimas teimosas
salgadas
ácidas
áridas de paixão
soltas de emoção
Pedra branca e fria
macia como um seio
fria como o seio
de uma Vénus de mármore
inerte e morta
Encolho-me e espero
O sorriso que não vem
a carícia ausente
os olhos fecham-se lânguidos
de desilusão
Estou com sono e a vida embala-me
Quero dormir e não me deixam
Pequenos fantasmas me assolam
mente desgarrada que não acredita
que se agarra
loucamente
ao cabo levado pela corrente
sobre as vagas que embalam
a um sono profundo
Estou com sono
Sentado olho sem ver
imagens e números
tela branca
macia e árida
com o seio de um estátua de mármore
Soluço, um simples soluço
E vejo o azul, frio
coberto de espuma
branca e fria
como o seio
de uma estátua de mármore.
Vino Veritas
Antes estivesse bêbado
assim a morte seria menos dolorosa
morte de uma vida
que não serviu para nada
morte que cheira a podre
de anos a feder
porcaria imensa
escondida, arrumada
no canto do caixão
Mas bêbado continuo a acreditar
que um dia a morte
me abra a sua boca
para aquele beijo
beijo de morte
doce
falso
bafo de álcool
pestilento
bílis vomitada
amarela
como fogo
que consome minhas entranhas
continuo a sorrir
nem bêbado nem morto
sorriso alvar
daquele meu amigo
que voltou a espreitar
meu espírito inquieto
que volta a cair
num turbilhão de ondas
vagas salgadas
da minha paixão
inútil....
Jimmy, 12 de Dezembro 2010
assim a morte seria menos dolorosa
morte de uma vida
que não serviu para nada
morte que cheira a podre
de anos a feder
porcaria imensa
escondida, arrumada
no canto do caixão
Mas bêbado continuo a acreditar
que um dia a morte
me abra a sua boca
para aquele beijo
beijo de morte
doce
falso
bafo de álcool
pestilento
bílis vomitada
amarela
como fogo
que consome minhas entranhas
continuo a sorrir
nem bêbado nem morto
sorriso alvar
daquele meu amigo
que voltou a espreitar
meu espírito inquieto
que volta a cair
num turbilhão de ondas
vagas salgadas
da minha paixão
inútil....
Jimmy, 12 de Dezembro 2010
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Hoje...
è penoso mas é vero
estou farto desta merda toda
porque raio esta cabeça não explode
numa explosão de merda
mais um dia que passa
mais um suspiro
mais um passo em frente
estou farto desta merda toda
porque raio esta cabeça não explode
numa explosão de merda
mais um dia que passa
mais um suspiro
mais um passo em frente
Foz
Águas revoltas e borbulhantes de vida
escoam alegremente leito abaixo
leito mil vezes corrido
aberto
arrancando pedaços de vida
fluxo de vida de encontro a escolhos
pedras negras de vida, vermelhas de morte
atravessam os caminhos
desse rio de águas revoltas e borbulhantes
pedras grandes e grãos de areia
misturam-se no rio, nas aguas pulsantes de vida
criando a vida, moldando a vida
dessas águas revoltas e borbulhantes
perdendo a força, perdendo o brilho
ficam as pedras tais obstáculos
negras nas margens
vermelhas no fundo
a areia a correr, escoando o resto da vida
depositando-se no fim
estrangulando tudo
energia perdida, morta, gasta, sem brilho
vida que antes era revolta e borbulhante
hoje um mar de lama
uma alma no mar
no oceano dos espíritos ignorantes
de pedras negras e pedras vermelhas
pedras de morte e vida
pequenos obstáculos
de uma vida.
escoam alegremente leito abaixo
leito mil vezes corrido
aberto
arrancando pedaços de vida
fluxo de vida de encontro a escolhos
pedras negras de vida, vermelhas de morte
atravessam os caminhos
desse rio de águas revoltas e borbulhantes
pedras grandes e grãos de areia
misturam-se no rio, nas aguas pulsantes de vida
criando a vida, moldando a vida
dessas águas revoltas e borbulhantes
perdendo a força, perdendo o brilho
ficam as pedras tais obstáculos
negras nas margens
vermelhas no fundo
a areia a correr, escoando o resto da vida
depositando-se no fim
estrangulando tudo
energia perdida, morta, gasta, sem brilho
vida que antes era revolta e borbulhante
hoje um mar de lama
uma alma no mar
no oceano dos espíritos ignorantes
de pedras negras e pedras vermelhas
pedras de morte e vida
pequenos obstáculos
de uma vida.
Rio Azul
Uma explosão de vazio
uma percepção de vazio
oco escuro e negro
dor profunda aperta meu peito
não choro, não lamento
apenas a dor lenta que regressa
negra e voraz, abrindo suas fauces
engolindo a minha alma sem pressa
já não reajo, já nada sinto
além da dor crua e fria
que gela meus olhos
lágrimas que teiman em não cair
Não existem, secas como a vida
Áridas de sentimentos e paixão
deserto de areia negra do vulcão
em que se tornou o meu coração
e olho, morto e sem vida
morto e sem alma
rio-me da vida que se escoa
que passa por mim gargalhando
deixando-me exangue, de olhar louco
suspiro e tudo falha
turbilhão de pensamentos o tempo que se escoa
a morte chega num compasso de piano
baila á minha volta uma valsa azul
de um rio que secou
já não choro
apenas
espero
uma percepção de vazio
oco escuro e negro
dor profunda aperta meu peito
não choro, não lamento
apenas a dor lenta que regressa
negra e voraz, abrindo suas fauces
engolindo a minha alma sem pressa
já não reajo, já nada sinto
além da dor crua e fria
que gela meus olhos
lágrimas que teiman em não cair
Não existem, secas como a vida
Áridas de sentimentos e paixão
deserto de areia negra do vulcão
em que se tornou o meu coração
e olho, morto e sem vida
morto e sem alma
rio-me da vida que se escoa
que passa por mim gargalhando
deixando-me exangue, de olhar louco
suspiro e tudo falha
turbilhão de pensamentos o tempo que se escoa
a morte chega num compasso de piano
baila á minha volta uma valsa azul
de um rio que secou
já não choro
apenas
espero
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