segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O velho

a criança queda-se assustada
são nuvens negras de tempestade
sossega o velho
sentando-se e olhando
com desalento
observando a tormenta que se aproxima

a chuva já corre em rios
de miséria podre
juntando-se ás lágrimas do velho
cheiro pestilento de fezes
de carneiros assustados
trovões ribombando nos céus
iluminando a cara do velho

chora a vida que perdeu
pelo engano insidioso
pelos caminhos tortuosos
adocicados
da traição
o velho chora
a criança jaz morta a seus pés
inerte e fria
como a sua alma

cambaleia para o seu destino
trôpego e velho
desgastado
olhar insano
rugas de dor rugindo nas suas entranhas
tropeça nas pedras
de uma calçada imensa
caminho de um calvário
cruzes que carrega
com o coração cravejado de espinhos

pontas lacerantes
penetradas na carne
profunda
infectada
podre

o velho caminha
rumo ao azul
onde já nada brilha
frio
morto
mas sem o saber

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Nobita escreveu: