Refúgio de um animal acossado pelos seu próprio intelecto, que, pelo que parece, não deve ser muito elevado...
sábado, 19 de dezembro de 2009
A MORTE DE UM DESESPERADO
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Sentado olhava....
Sentado olhava
Alma cinzenta e destroçada
Mil pelejas cicatrizavam purulentas
Olhar o nada, vazio e perdido
Toda uma vida discorria
Um episódio, um sorriso, outro, um esgar
Olhava o futuro
Sem alento
Cansado
Tremendo
Levanta-se pesadamente
O peso da vida numa carcaça velha
Ossos calcificados rangem o seu protesto
A dor volta
Lenta e insidiosa
Um passo, uma nova conquista
O sol há muito se pôs
Sombras negras envolvem a escuridão
A noite aproxima-se enfim
Sem estrelas, sem brilho
Outro passo
E o vento sopra numa aragem
Gélida, cortante
Abrindo chagas na alma
Dorida
Outro passo e olha o céu
Um brilho tenta furar a escuridão
Luta com as trevas
Ele reconhece a deusa
De face serena e pálida
De sorriso quente e terno
Sorri, sente-se criança outra vez
Embalado por aquela luz
Fria e cinza
De uma lua árida
Que o embala num sono profundo
Sines, 13 de Dezembro de 2009
Alma cinzenta e destroçada
Mil pelejas cicatrizavam purulentas
Olhar o nada, vazio e perdido
Toda uma vida discorria
Um episódio, um sorriso, outro, um esgar
Olhava o futuro
Sem alento
Cansado
Tremendo
Levanta-se pesadamente
O peso da vida numa carcaça velha
Ossos calcificados rangem o seu protesto
A dor volta
Lenta e insidiosa
Um passo, uma nova conquista
O sol há muito se pôs
Sombras negras envolvem a escuridão
A noite aproxima-se enfim
Sem estrelas, sem brilho
Outro passo
E o vento sopra numa aragem
Gélida, cortante
Abrindo chagas na alma
Dorida
Outro passo e olha o céu
Um brilho tenta furar a escuridão
Luta com as trevas
Ele reconhece a deusa
De face serena e pálida
De sorriso quente e terno
Sorri, sente-se criança outra vez
Embalado por aquela luz
Fria e cinza
De uma lua árida
Que o embala num sono profundo
Sines, 13 de Dezembro de 2009
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Só ...
Um pequeno quarto, cama coberta de roupa desalinhada e almofada toda amachucada, apenas uma pequena mesa-de-cabeceira com alguns artigo por lá atirados.
Estava escuro e eu, sentado, olhava para a janela vendo a escuridão a passar perante os meus olhos, sentia um aperto enorme, sentia a dor da solidão.
Sonhava que me afogava, braços estendidos em direcção á superfície, tábuas a que me agarrava mas que não me impediam de me afogar na maior das solidões.
E o tempo passava, horas, dias, meses e nada conseguia atenuar a dor.
Sinto-me cada vez mais só
Sei que morrerei um dia. Se calhar a dor morrerá aí, se calhar terei o sossego que mereço.
Sentado na cama suspiro e lembro-me, gemo de saudade a solidão volta a avassalar, tremenda e crua….
Suspiro e deito-me, fecho o s olhos e ela olha para mim, fazendo-me sentir só.
Estava escuro e eu, sentado, olhava para a janela vendo a escuridão a passar perante os meus olhos, sentia um aperto enorme, sentia a dor da solidão.
Sonhava que me afogava, braços estendidos em direcção á superfície, tábuas a que me agarrava mas que não me impediam de me afogar na maior das solidões.
E o tempo passava, horas, dias, meses e nada conseguia atenuar a dor.
Sinto-me cada vez mais só
Sei que morrerei um dia. Se calhar a dor morrerá aí, se calhar terei o sossego que mereço.
Sentado na cama suspiro e lembro-me, gemo de saudade a solidão volta a avassalar, tremenda e crua….
Suspiro e deito-me, fecho o s olhos e ela olha para mim, fazendo-me sentir só.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
O espelho......
Olhava aquele rosto marcado que se espelhava á minha frente, reconhecia nele uma certa vida que se tinha esmorecido ao longo das amarguras.
Olhos cavos e escuros assim como eram profundas e negras as olheiras de muitas noites mal dormidas onde fantasmas se riam de uma lenta fuga da realidade cada vez mais escura e insípida.
Estendia a mão tentando tocar a superfície espelhada, o dedo a aflorar o frio do outro lado, a mão a atravessar sem dificuldade
Num impulso salta para o outro lado sentindo de imediato um frio de apertar a alma, fundo escuro de um queda eterna, um sufocante aperto no peito e mergulhou no espelho da sua perdição desaparecendo nas águas escuros do lago que reflectiam o azul do céu onde se podia notar as brancas nuvens que passavam sem parar impulsionadas pelo bater de asas das aves.
Jazia lá em baixo de olhos arregalados na lama do fundo enterrando-se lentamente para gáudio de milhões de seres.
Olhos cavos e escuros assim como eram profundas e negras as olheiras de muitas noites mal dormidas onde fantasmas se riam de uma lenta fuga da realidade cada vez mais escura e insípida.
Estendia a mão tentando tocar a superfície espelhada, o dedo a aflorar o frio do outro lado, a mão a atravessar sem dificuldade
Num impulso salta para o outro lado sentindo de imediato um frio de apertar a alma, fundo escuro de um queda eterna, um sufocante aperto no peito e mergulhou no espelho da sua perdição desaparecendo nas águas escuros do lago que reflectiam o azul do céu onde se podia notar as brancas nuvens que passavam sem parar impulsionadas pelo bater de asas das aves.
Jazia lá em baixo de olhos arregalados na lama do fundo enterrando-se lentamente para gáudio de milhões de seres.
terça-feira, 17 de março de 2009
Excertos....
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Jonas abraçava a sua mulher tentando confortá-la, perspectivava-se mais uma longa separação e ele já sofria com isso. Memórias de longas noites solitárias, fechado num camarote minúsculo, sem condições, sonhando na escuridão negra da noite, sonhando com a sua mulher, como a amaria… memórias de amargas lágrimas que lhe teimavam em cair, cada vez que recebia uma carta e encontrava palavras inteira esborratadas de lágrimas derramadas por quem também sofria com a solidão. Jonas abraçando a sua mulher olhou para o parque onde seu filho brincava inocentemente. Estava bonito o miúdo, roliço e pachola. Jonas beijou carinhosamente sua mulher e suspirou, tinha que ir… o bem-estar deles era-lhe muito importante.
..............
Jonas abraçava a sua mulher tentando confortá-la, perspectivava-se mais uma longa separação e ele já sofria com isso. Memórias de longas noites solitárias, fechado num camarote minúsculo, sem condições, sonhando na escuridão negra da noite, sonhando com a sua mulher, como a amaria… memórias de amargas lágrimas que lhe teimavam em cair, cada vez que recebia uma carta e encontrava palavras inteira esborratadas de lágrimas derramadas por quem também sofria com a solidão. Jonas abraçando a sua mulher olhou para o parque onde seu filho brincava inocentemente. Estava bonito o miúdo, roliço e pachola. Jonas beijou carinhosamente sua mulher e suspirou, tinha que ir… o bem-estar deles era-lhe muito importante.
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quinta-feira, 5 de março de 2009
Um dia....
Era apenas mais um dia. Tinha nascido cinzento, chuvoso mas de temperatura amena, pelo menos era assim que ele o sentia. Tinha acordado meio estremunhado o que não era normal, se calhar falta de descanso. Tinha-se dirigido á retrete para urinar e não o conseguiu, estava preso. Suspirou e sentou-se na sanita abrindo a torneira do bidé de maneira a que se ouvisse o silvo da água a correr. Tentava descontrair-se mas não conseguia, o gato tinha entretanto ouvido os ruídos e não parava de arranhar a porta, adorava beber água do bidé o tarado do felino. E a urina lá escorreu lentamente acabando por esvaziar a bexiga.
Devagar dirigiu-se á cozinha e começou a preparar o chá tropeçando agora em dois felinos ansiosos pela sua refeição matinal, não paravam de se cruzar com as pernas dele. Com uma risada, fez uma festa a um deles que se escapulia entretanto e foi preparar a refeição dos bichanos para ver se eles o deixavam em paz. A água fervia, o pacote de chá estava na mão e só faltava a chávena. Antigamente ainda tinha uma chávena preferida mas agora até a lata usada das salsichas serviria para beber o chá.
Com uma chávena fumegante dirigiu-se para a varanda vendo as pessoas a passar na rua, agasalhadas por um frio que ele não sentia, olhando de um modo espantado para aquela figura patética em cuecas numa varanda a beber chá.
Apesar de uma noite de sono sentia o cansaço, apertava-lhe o pescoço, sentia constantemente uma garra a apertar-lhe o pescoço como se quisesse sufoca-lo, respirar ás vezes era difícil, já, muitas vezes, tinha de ser um acto voluntário e não natural. O cansaço era enorme.
Sentou-se numa cadeira de descanso, daquelas que normalmente vêm nos conveses dos navios de passageiros, pelo menos nos antigos, sentou-se e começou a ler a revista que tinha na mão achando estranhas as mexeriquices que ia lendo, era um dejá vu recorrente e num repente foi ver a data, a revista já tinha uns 8 meses, não admirava que ele já tivesse ouvido falar dessas mexeriquices, atirou a revista para o lado suspirando. O pescoço apertava cada vez mais e a temperatura começava a incomodar, estava quente naquela madrugada na varanda.
Deitando-se na cadeira fechou os olhos, um cansaço enorme se apossou daquele corpo, um sono terrível começava a apertar o cerco.
- Vou dormir uns cinco minutos, estou um bocado cansado, bolas, não preciso de acordar tão cedo…
O corpo já rígido do frio foi encontrado pela mulher duas horas mais tarde, tinha os dois gatos aninhados no seu colo tentando aproveitar o máximo de calor que o cadáver pudesse dar.
Devagar dirigiu-se á cozinha e começou a preparar o chá tropeçando agora em dois felinos ansiosos pela sua refeição matinal, não paravam de se cruzar com as pernas dele. Com uma risada, fez uma festa a um deles que se escapulia entretanto e foi preparar a refeição dos bichanos para ver se eles o deixavam em paz. A água fervia, o pacote de chá estava na mão e só faltava a chávena. Antigamente ainda tinha uma chávena preferida mas agora até a lata usada das salsichas serviria para beber o chá.
Com uma chávena fumegante dirigiu-se para a varanda vendo as pessoas a passar na rua, agasalhadas por um frio que ele não sentia, olhando de um modo espantado para aquela figura patética em cuecas numa varanda a beber chá.
Apesar de uma noite de sono sentia o cansaço, apertava-lhe o pescoço, sentia constantemente uma garra a apertar-lhe o pescoço como se quisesse sufoca-lo, respirar ás vezes era difícil, já, muitas vezes, tinha de ser um acto voluntário e não natural. O cansaço era enorme.
Sentou-se numa cadeira de descanso, daquelas que normalmente vêm nos conveses dos navios de passageiros, pelo menos nos antigos, sentou-se e começou a ler a revista que tinha na mão achando estranhas as mexeriquices que ia lendo, era um dejá vu recorrente e num repente foi ver a data, a revista já tinha uns 8 meses, não admirava que ele já tivesse ouvido falar dessas mexeriquices, atirou a revista para o lado suspirando. O pescoço apertava cada vez mais e a temperatura começava a incomodar, estava quente naquela madrugada na varanda.
Deitando-se na cadeira fechou os olhos, um cansaço enorme se apossou daquele corpo, um sono terrível começava a apertar o cerco.
- Vou dormir uns cinco minutos, estou um bocado cansado, bolas, não preciso de acordar tão cedo…
O corpo já rígido do frio foi encontrado pela mulher duas horas mais tarde, tinha os dois gatos aninhados no seu colo tentando aproveitar o máximo de calor que o cadáver pudesse dar.
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