sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Num piscar de olhos


num piscar de olhos
um dia que morre
a noite que me cobre
fria e acolhedora
um sorriso de dedos gélidos
aperta minha alma
num piscar de olhos
tudo se desvanece
a morte e o sonho
resta a solidão
resto eu
e um dia que apenas morre

Ela


Eu e aquela que nunca me abandona
Aquela que sorri para mim
Acaricia-me quando choro
Ampara-me quando caio
Companheira fiel
Que serás minha
Eternamente

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Rasto....


Estou neste momento no meu camarote. E o tempo passa, o navio abana e eu começo a escrever.
A tristeza começa a invadir-me, é mais forte do que eu. É uma tristeza estranha, inevitável e que magoa. A esperança desvanece-se.
As razões? Não são necessárias razões, ela existe e aparece, cinzenta e crua.
Estou só, apenas isso
Sinto-me só
E nunca hei-de ter companhia
Vou morrer só
Lá nos confins dos tempos morrerei e estarei só
Estenderei a mão e o inexplicável apenas me olhará
Inerte e cinzento
Enigmático
E a tristeza apagar-se-á
Sinto-me triste e só
.
.
.
.
O tempo passa e eu sinto-o a correr nas minhas veias
Aqui sentado escrevendo
Ao som das batidas do meu coração
Batendo em uníssono com a canção
Chorada
Da Diana
Enchendo meu espírito de incertezas
De solidão
De não alcançar
E morrer tentando
As lágrimas já secaram
Os soluços afogaram-se
No mar da minha angústia
Sinto que já nada sobra
Apenas resta
O meu cadáver ainda vivo
Que teima em caminhar
Veredas melancólicas
Áridas
De sorrisos
De paixão
Mar salgado que queima a garganta
Lágrimas que saltam
Salgando rios de tristeza
Aquela tristeza que agora sinto…
Dói-me a alma….

Jimmy
Navegar, 12 de Setembro de 2011

quarta-feira, 22 de junho de 2011

De repente percebi que estou só…


De repente percebi que estou só… na minha busca insana de companhia, de uma compreensão descobri que as outras pessoas vivem a sua vida e eu estou só. Estou só na minha redoma do meu pequeno universo que tento abarcar futilmente. Tento mostrar as maravilhas desse mesmo universo aos meus próximos mas eles não as alcançam, estão nas suas bolhas, entretidos com as suas questões. E eu estou só.
É uma solidão estúpida pois apesar das imensas relações que temos no dia-a-dia estou só. Quando falo para casa falo para um outro universo que não atinjo. Quando teclo estou longe das pessoas com quem troco umas letras, umas palavras, uns sentimentos. A solidão invade-me e deixa-me extremamente angustiado. Apesar de falar, escrever, namorar e irar-me não consigo transmitir o que quero, não consigo ouvir o que me querem realmente dizer, sim porque palavras existem, as frases são imensas mas o conteúdo perde-se no etéreo e fica por lá até se desvanecer.
É uma solidão estranha pois não tem cura, uma espécie de demência que me afoga os sentidos e os sentimentos. Um exemplo dessa solidão, dessa incapacidade de comunicar é a expressão do amor. Quem nunca olhou para o seu ente querido com um amor tão grande que se sente impotente de o demonstrar? Usualmente abraça-se com tanta força que o resultado é magoar que amamos e mesmo assim não conseguimos mostrar o quanto amor temos, fica apenas o desespero de tanto amar e o total isolamento daquele ser que se afasta zangado e dorido depois de tal demonstração de afecto. Escreve-se, esforça-se e mata-se mas o sentimento de impotência fica cá dentro, estamos sós, não comunicamos realmente. Eu estou só e noto a minha solidão, noto-o no meu desespero interior e leio-a nas palavras dos outros.
A vida às vezes é tão clara que se torna dolorosa.

Jimmy
Bordo, 22 de Junho de 2011

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Candura


Num regato de águas gorgolejantes
Cristalina e pura
Céu celeste a correr
Nuvens alvas saltando
Cordeiros e ovelhas balindo
A alegria estampada
Na cara cretina de um espantalho
Morto e crucificado
Num campo
De mortíferas papoilas

Jimmy
Bordo, 13 de Junho de 2011

terça-feira, 14 de junho de 2011

Ela voltou


Ela voltou
Entrou-me pelos olhos
Invadindo minhas memórias
Perturbando meu sossego
Ela, adormecida nos tempos
Voltou
Trazendo recordações
De velhas tesões
De velhas memórias
Enterradas mas vivas
Regressaram lazarentas
Perturbando
Este espírito já tão magoado
Ela voltou
Trazendo a incerteza
De quem já não sabe nada
De quem já não tem certezas de nada
Quero viver, apenas
Livre de amar
Quem quer ser amada
Sentado escrevo
Ela voltou

Jimmy
Bordo, 13 de Junho de 2011

Desejo insano


Estou só
Vendo imagens
Loucas
De desejos, de paixões
Sonhos insatisfeitos
Quero-a loucamente
Recusa-me
Desfaleço
Quero-a e volto
Caio no chão
Raiva surda
Impotente
Quero-a e desejo-a
Imagem que não me larga
Sonhos perdidos
Repetidos até á exaustão
Insisto e morro
Desejando-a
Querendo-a
Amando-a.

Jimmy
Bordo, 13 de Junho de 2011