terça-feira, 15 de abril de 2014

Crónicas I


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Lembro-me de uma vez ter dito que nestes sítios só ficavam os pobres de espírito e os que não tinham lugar em mais lado nenhum, ainda não sei qual a minha classificação. Apenas cá continuo sem mais lugar algum que me acolha. Sinto-me a morrer por aqui, a definhar e a morrer, lentamente entrando em degradação. Quando morrer nem necessário será a cremação, a degradação será tão total que só mesmo deitado fora sirvo para alguma coisa.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Esta, aquela, outra....

Esta, aquela, outra
Se eu fosse uma flor seria belo
Não sou flor que se cheire
Nem belo
Apenas um quadrúpede de patas peludas
Correndo e caçando
Gargalhando e perseguindo
Esta, aquela, outra
Todas quero, alcanço algumas
Fome insaciável de carne vibrante
De vida, de tesão
Esta, aquela, outra
Perseguem-me nos sonhos
Provocam-me no quotidiano
Sabem que as quero
Gargalham e afastam-se
Mantendo as distâncias, atiçando
Sento-me expectante, apenas um deslize
E será um festim quando a apanhar.

Jimmy
Bordo, 14 de Junho de 2011

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Minhas publicações

Decidi puplicar de modo independente pois assim, de uma maneira sem custos, ponho á disposição do público em geral a minha obra.
Tem ela valor? Só vocês o poderão dizer. Aqueles que adquirirem os livros ou que simplesmente os tenham lido é que poderão ajuizar do seu valor. Os outros, é apenas uma questão de opção de os querer conhecer ou não. Essa decisão, qualquer que ela seja eu respeito-a integralmente. Agora não critiquem sem conhecer.


Podem ver no link acima os livros que publiquei e aqui mostrados na imagem.


Tenho um primeiro livro, esse de poesia, publicado na Euedito, tem o título de "Vida e Saudade". Essa edição lá está e mais uma vez tem o valor que tem. É apenas uma obra minha.




segunda-feira, 25 de novembro de 2013

A Espera

Estou aqui sentado á espera, á espera de chegar, á espera de que aconteça. Toda uma vida estive á espera. Fui realizando umas coisas, fazendo outras e seguindo muitas mais mas estive sempre á espera. 
O tempo passa, os acontecimentos queimam o tempo esmorecendo a esperança que tal como um naufrago se agarra á tábua e não se deixa afogar, o tempo passa no seu ritmo imutável.
Estou aqui sentado e a nostalgia começa a invadir o meu espírito, cobre com o seu manto cinzento de nuvens de tempestade que cada vez se aproxima mais. Faz-me lembrar as famosas "suladas" de Moçambique, aquelas tempestades tropicais do fim do dia que víamos nascer no horizonte, um manto negro que avançava até tudo cobrir. Quando caía a primeira trovoada o céu apenas desabava por cima de nós.
A minha tempestade já cobre mais de metade do céu, as sombra já se alongam, já só estou á espera da cascata que cairá sobre mim, inevitável.
Tento encontrar abrigo mas só encontro casas de adobe que estremecem com o vento que levanta, alguns tectos voam, corro mas já sem convicção, vou-me molhar só espero não ser levado na enxurrada.
Junto desesperadamente pedaços de pedra e adobe, tentanto fortalecer o meu abrigo, as minhas preciosidades mas a fonte está cada vez mais longe e o corpo começa a dar sinais de si. Arrisco-me a ser apanhado lá fora, desabrigado. E só ficarei, levado pelo dilúvio, rezando para que o meu abrigo, embora deficiente, se aguente.
Nas "Suladas" o dia seguinte era de renascimento, vinhamos para rua que estava juncada de detritos e íamos ver os estragos. O Sol subia e aquecia aquela terra dando-lhe nova vida. As brincadeiras continuavam como se nunca tivessem sido interrompidas.
Hoje as brincadeiras já são a sério, usando uma expressão beirense são á "varda" (1), são a doer. Passando para o lado de lá da tempestade fica só a incógnita do futuro onde a única certeza é ficar sem berlindes para jogar. 
Já não se espera, já nada interessa, ali ficamos, na escuridão ou na luz, já não interessa.
Já nem lágrimas existem para lavar a alma.




(1) Na Beira, Moçambique, durante a minha juventude quando jogávamos ao berlinde nas variantes 3 covinhas, 1cova ou á parede o jogo podia ser "á varda" que significava que quem perdia entrgava o berlinde e se queria continuar tinha de ter outro para entrar em jogo ou sem ser "á varda" que era jogo normal, na brinca. Equivalente á expressão de jogar "ao rapa". 

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Estado de Alma

Estou aqui sentado, pensando, ouvindo música e apreciando cada nota embora nunca as conseguirei descrever, apenas a ouvir música e pensando.
Penso nos acontecimentos recentes, o choque e a dor que subitamente caiu sobre a nossa família, a nossa família em geral e a minha em particular. Começo a arrumar a casa das recordações, a vida tem de continuar mas o medo instalou-se, a segurança diluiu-se, tornei-me avarento dos meus.

Tenho passado as últimas semanas a sonhar no pouco que durmo, sonho com a minha perda. Ela apenas está lá e eu apenas tenho consciência da sua presença e da dor surda que me mutila. As lágrimas começam a secar mas a alma está muito ferida começa o corpo a ressentir-se.

Não comparo a minha dor com a dos meus filhos embora eu sofra como pai também, como avô, como irmão, como filho. E as circunstâncias obrigam-me a suportar isto tudo sem um abraço, sem um aconchego, fechado numa cela tentando entreter o meu espírito divergindo-o para outras tarefas, tentativa vã pois o pensamento escorre sempre para a imagem da minha perda.

Tenho o meu espírito num turbilhão, não consigo orientar as minhas ideias, as minhas capacidades diluem-se num rio de dor. E ando á volta, rodopiando sem fim.

Apenas sei que tenho de pôr uma perna á frente da outra para mais um passo dar. Passos esses que podem assegurar uma certa segurança aos meus, á aqueles de quem eu me tornei avarento, á aqueles que eu já não quero deixar uma festa, um mimo para o dia seguinte, esse dia poderá nunca chegar, ganhei consciência e terror desse facto.

E as lágrimas continuam a correr... meus filhos deixem toda a vossa dor comigo e continuem em frente ainda têm um lindo projecto em mãos, ainda têm a esperança da renovação. Sigam a vossa vida e deixem-me aqui sossegado, ouvindo música e carregando a dor de uma perda que a todos nós afectou.



Bordo, 27 de Janeiro de 2013

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Dorme dorme gaivotinha...

 

Perdemos a nossa gaivotinha
não tenho palavras para chorar
apenas um rio de lágrimas
amargas de tanta dor

tanta vida, tanta esperança
num ápice se apagou
sorriso lindo e inocente
que a morte levou

sobra a saudade, a dor
da eternidade

querida gaivotinha
dorme, dorme
que o papão foi-se embora
dorme em paz
que a gaivota olha por ti



Jimmy Duarte Silva a 13 de Janeiro de 2013

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Vazio

O vazio do azul que se estende até se perder de vista
A solidão que nos avassala, fria e dura
O dia que morre assim como morre mais um dia, de vida

A beleza da solidão, do momento, beleza dorida
de um oceano sem fim que se estende para além da vida
deixando para trás amores e paixões, sentimentos que se estendem
desgastados pela erosão do vento e do sal
temperados pelo tempo, pelo calor de uma recordação

Deserto azul imenso e insano
alteroso de sentimentos, terrível na sua fúria
calmo e doce na sua mansidão
causando tanta dor como temor
dando-nos paz
de tanto olhar sua beleza infinita
que se estende até se perder de vista

by: Jimmy the Sailor, 28 de Outubro de 2012