quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Dia de Passeio

Está um dia de sol, lindo a convidar a um passeio no meio da verdura de um parque em plena Primavera
Saio de casa, não podia perder essa oportunidade, são raros os dias bonitos de passeio, aliás são raros os dias que tenho.
Caminhando nas veredas paro. Ao longe um grupo de jovens mães brincam com os seus rebentos que arrulham de alegria. Parado continuo a olhar, sentindo a dor.
As mãos tremem-me sem controlo, agarro-as. Sento-me no banco e observo o brincar dos miúdos e noto que tenho uma perna a abanar e sentindo a dor a aumentar.
Respiro fundo e a ânsia invade o meu peito tirando-me o pouco ar que inspiro. Respiro fundo acabando por sentir o cheiro de relva fresca acabada de cortar, aquele cheiro característico que me transporta á minha meninice quando brincava no parque da minha terra.
Uma lágrima de saudade escorre cara abaixo e sou obrigado a agarrar as mãos que tremem como se tivessem vontade própria. A dor a subir de intensidade.
Respiro fundo e vejo o negro a invadir os meus olhos, nuvens negras de tempestade que vieram estragar este belo dia de primavera, dia de sol que não podia perder. Ar abafado que me custava a respirar, fazendo-me ofegar e arfar por um pedaço de vida.
Sonolento e cansado deito-me no banco, estava frio, estava só.
Soluço baixinho e adormeço…..

Sines, 7 de Agosto de 2008

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Nobita escreveu: