quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Domingo de manhã...

Vou contar uma história que se passou comigo este Domingo último.
Como sabem, não tenho feito exercício nenhum desde que voltei para o mar. Neste Domingo fui com o meu amigo Carlos mergulhar, mas o mar estava uma porcaria. Voltei para casa e, ao arrumar o equipamento, dei com uma bicicleta que emprestaram ao meu filho. Enchi-me de coragem e fui pedalar. Saí da minha casa, no Monte Estoril e pedalei rua acima. Quando cheguei ao cimo da rua já chamava nomes a toda a gente mas decidi-me continuar e como a rua descia levemente só parei em Cascais. No centro da vila olhei em volta e disse para comigo: "Está um dia tão bonito porque não vais até ao Guincho???". E pus-me a pedalar, só que apanhei a subida da 25 de Abril até á Praça de Touros. Os impropérios que chamei a toda a gente devem ter acordado a vila pois aquilo deu cabo das minhas pernas e o rabo já começava a magoar-me pois a bicla tinha daqueles selins que se faz favor...
Quando já pedalando normalmente passava a zona da Guia ia pensando no enorme erro que estava a cometer mas a esperteza nunca foi o meu forte e a teimosia um certo defeito. Continuei teimosamente.... De repente á minha frente vejo uma garina toda jeitosa a andar, a fazer o seu jogging matinal e eu recomecei a pedalar com mais ânimo ao ritmo do bambolear do traseira da dita moçoila. Só que ela estava a andar e eu quase que não a apanhava tal era a força da minha pedalada... e foi quando ela decidiu entrar em passo de corrida e desapareceu no horizonte. Aí eu percebi que estava mesmo velho e acabado, ela em passo era mais rápida do que eu em bicicleta. E lá continuei pedalando furiosamente até ao Guincho.
Chegado finalmente ao meu destino nem quis olhar para nada, nem parei para respirar aquele ar matinal, puro e fresco. Dei meia volta á bicicleta e pus-me a pedalar de regresso a Cascais.
Só que a estrada Cascais - Guincho é uma descida muito ligeira, o sentido contrário transforma-se numa prova de montanha para um ciclista emérito como eu. Já não tinha fôlego nem forças para chamar nomes ás pessoas que passavam. Cruzei-me com mais uma data de moçoilas jeitosas correndo bamboleando os seus traseiros e nem isso eu já reparava. Olhava fixamente em frente e pedalava arfando, cada inspiração de ar fresco já queimava os meus pulmões rebentados de tanto trabalhar, eu estava cansado.
De repente, em sentido contrário, passa por mim em alta velocidade o meu amigo Carlos que depois de me ter deixado em casa ainda regressou a Rana, equipou-se pegou na sua bicla toda XPTO e também foi pedalar como eu, só que a partir de Rana, uns bons quilómetros mais. Passou por mim velozmente e ainda gritou:" BOA JIMMY!!!!!". A minha resposta perdeu-se na leve brisa da manhã....
Já não pedalava sentado, as dores no meu real traseiro já eram imensas quando consegui chegar ao pé do Mexilhoeiro, uns míseros metros antes da Boca do Inferno. Parei para atravessar a rua e quase caí, não tinha forças nas pernas para suportar o meu próprio peso. Recomeçar a pedalar ia fazendo meter-me debaixo de um carro, o desespero começava a invadir-me. Parei num banquinho do miradouro do Mexilhoeiro e telefonei á minha mulher gritando desesperadamente para me ir buscar. Com este gesto sabia que ia ter um resto de Domingo infernal pois ela não iria parar de me gozar nos próximos 10 anos. Foi difícil arrancá-la de casa no Domingo de manhã.
Enquanto esperava decidi pedalar mais um pouquinho até á Boca do Inferno, sempre podia tomar um café para me fazer subir a tensão que começava a ameaçar ir-se a abaixo. E assim fiz.
Na tasca pedi o meu café e guloso não resisti a um rissol de camarão. Estava meio azedo.
Sentei-me na beira da estrada e esperei por ela. É isso que faz todo o marido a partir do dia do casamento, esperar por ela...

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Nobita escreveu: