Estou aqui sentado na minha secretária olhando com ar vazio um ecrã que nada me diz e nada me dá de novo. Sou subjugado pelas recordações que me afogam o espírito, que me inquietam. É triste a saudade, é triste a solidão e neste momento é apenas o que sinto. O manto enorme e negro da solidão. Está tudo longe, tudo inalcançável, resta-me apenas o vinho amargo no fundo de uma caneca onde jazem algumas moscas afogadas na sua ansia. Estou aqui sentado e escrevo a minha alma. Daqui a um pouco irei para o mar onde poderei olhar o horizonte, onde poderei sonhar pois o mar tudo permite, é o local onde os sonhos são realidade morando lá longe, naquela linha para onde navegamos e nunca alcançamos. um dia irei para casa, descansar e falar com os meus gatos, discutir filosofia com o Fu, política externa com o Nobita e sonhar na minha varanda olhando o recorte do horizonte, o recorte da serra, o recorte da cidade a que eu não pertenço.
Não estou triste, estou melancólico, estou saudoso, de vida, de um sorriso... entretendo vou ouvindo Sigur Ros...
Ainda hoje sinto saudades de uma paixão que tive aos dez anos, maldito este cérebro de minhoca.... adeus sorriso bonito, faz boa viagem.
Refúgio de um animal acossado pelos seu próprio intelecto, que, pelo que parece, não deve ser muito elevado...
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sexta-feira, 29 de maio de 2015
segunda-feira, 25 de maio de 2015
Jonas 8 - O renascer
A eternidade passou num ápice, Jonas abriu os olhos e sobressaltou-se, aqueles grandes olhos verdes que o miravam expectantes assustaram-no. Fez um gesto de defesa, inútil pois estava amarrado á cama. Acalmou-se, aqueles olhos eram tristes, doces e pareciam suplicar algo que Jonas não entendia. A sua mente ainda num turbilhão, a ideias, as imagens, as memórias todas a saltarem ao mesmo tempo, Jonas fazia um esforço insano para as agrupara, para pôr um pouco de ordem de modo a que conseguisse dar um pouco de lógica aos últimos acontecimentos. O turbilhão era demasiado e aqueles olhos desconcentravam-no.
- Onde estou? Que me aconteceu?
- Aparentemente caiu e bateu com a cabeça! Exclama a rapariga, e, mudando de tom de voz ralhou. O menino está muito fraco para se levantar sem ajuda! Para a próxima tem este botãozinho, carrega e chama-me!
- Porquê esse olhar triste? Não me vai dizer que é porque eu não carreguei no botãozinho!
- Nada, não estou triste apenas cansada!
- De aturar malucos, não?
- Nem imagina! Exclama a rapariga afastando o olhar para a janela e olhando lá para fora, para o parque de estacionamento onde um vulto cabisbaixo entrava num carro e se afastava. Nem imagina quanto farta estou eu!
- Farta de aturar malucos sãos ou doidos como eu?
- É assim! Vira-se a rapariga com os olhos a faiscar. Se continuar com essas perguntas fico farta de aturar parvos. Já me chegam os malucos e os doidos.
- HummmmM para a próxima carrego no botãozinho! Que fúria.
Jonas sorriu e deitou-se olhando para o tecto, a sua mancha lá estava.
O tempo passou assim como o dia, Jonas apenas pensava no que lhe restava das suas memórias, lembrava-se dos factos e esquecia-se dos nomes, lembrava-se das sensações e passavam-lhe as datas, a cronologia.
De repente um cheiro veio-lhe á memória, um cheiro quente, suave, doce. Um perfume á muito enterrado no interior do seu consciente, o perfume de uma mulher que ele tinha amado profundamente, que ele ama ainda hoje, sabe que a ama mas é-lhe totalmente incapaz de se lembrar do nome. Olhos negros, sorriso brincalhão, cabelo cortado curto, cabelo que Jonas se lembra de adorar passar os dedos por aqueles cabelos a partir da nuca arrancando á sua amada arrepios que lhe deixavam a pele toda eriçada, os mamilos arrepiados para divertimento de Jonas. Era assim que começavam normalmente os seus jogos amorosos. Beijava-lhe o pescoço aspirando o seu perfume, o seu cheiro, mordia-lhe a nuca como os animais fazem ás suas fêmeas para as dominar, esta nunca se tinha deixado dominar, era brava e por isso Jonas perdia-se sempre. E as memórias corriam mostrando uma vida que ele tinha tido e que agora estava totalmente desligado, não se lembrava, tinha-a perdido para algo, para alguém.
- Desculpe-me o meu mau génio á bocado! Exclamou a rapariga á porta do quarto. Não devia ter sido malcriada!
- Se calhar eu não devia ter sido parvo e estar com gracinhas com uma pessoa que se via que estava nervosa e ou cansada. Digamos, farta de aturar malucos. Exclama Jonas com um sorriso.
Já agora! Está mais bem disposta?
- Hummm! Já passou! E você? Tenho estado aqui a observa-lo e quase se podia ver as rodinhas dessa cabeça a rodarem a uma velocidade incrível, quase se podia ver o brilho de uma lagrimazita a querer escapar desses olhos. O que se passa?
- Memórias de tempos passados, memórias de amores e paixões que não regressam nunca mais, memórias e mais memórias.
- Entendo! Mas porque não põe para detrás das costas e segue em frente? Existe vida no seu futuro.
- Existe vida sim, mas eu sou aquilo que fiz e vivi,não quero pôr a minha vida para detrás das costas só porque causam dor. A minha vida é o único bem que eu tenho e que levarei comigo quando morrer. Quero-a toda presente.
- Mas isso deve-lhe ser bastante penoso. Sofrer de novo para quê? Passou e não se pensa mais nisso.
- Não é bem assim. Se sofri é porque houve algo de bom que se alterou e passou a causar sofrimento, eu quero esses pedaços bons de volta, quer lembrar-me deles, vive-los novamente nem que para isso volte a sofrer a sua perda.
- Se você está sempre a viver o passado não vive o presente nem terá futuro.
- Bem observado mas não é assim que acontece comigo. Vivo o passado, o presente é sempre o presente e vivo-o intensamente, esta conversa é um exemplo disso, está-me a dar prazer argumentar consigo com um início de tentativa de sedução ao mesmo tempo que já estou a fazer projecções para o futuro, a desenhar todos os possíveis cenários que esta conversa poderá produzir. Faço isto tudo ao mesmo tempo.
- Está-se a meter comigo, está a gozar-me! Replica a rapariga com um tom de voz ofendido.
- Estou a brincar, não a gozar. Existe uma grande diferença. E eu só brinco com pessoas de quem gosto. E a sedução é uma coisa que existe sempre entre um homem e uma mulher. Nós gostamos que o outro goste de nós, mesmo que seja só simpatizar, admirar. A sedução no sentido lato não implica sempre sexo. Embora, você como uma mulher muito bonita que é, seja difícil de não querermos seduzir.
- Oh! Não diga asneiras! Mas voltando ás memórias e á vida. Deve ser muito cansativo essa maneira de se viver, a sua cabeça não deve parar.
- Como tu disseste, vou tratar-te por tu pois como já me declarei e não levei chapaao acho que ganhei o estatuto de te poder tratar por tu. Como disseste, quase que podias ver as rodinhas do meu cérebro a trabalhar, é assim todos os dias, a toda a hora. Se descontraio, adormeço, de exaustão provavelmente. Mas não consigo fugir a este remoinho, sempre a lembrar, a viver e a projectar. Muitas vezes, quando interrompo, fecho os olhos e sonho, sonho vidas que nunca vivi e que nunca viverei, apenas na minha imaginação os vivo. Sonhos e fantasias, milhões de vidas. O problema é manter a coerência, não misturar os sonhos com as memórias reais.
- Se calhar é por isso que estás aqui. Replica a rapariga usando o tratamento por tu. Flipaste totalmente e queimaste os fusíveis. Bolas, não devia estar a falar contigo assim, afinal és um doente e eu não posso dizer estas coisas! Exclama a rapariga tapando a boca com a mão e corando como uma adolescente.
- Não te preocupes! Desde que o digas quando estivermos a sós não terás problemas. Passa a ser o nosso segredo! Diz Jonas com ar malicioso.
- Hummm! Não estou a gostar muito desse olhar de felino!
- Claro que faço este olhar de felino. O segredo une-nos, dá-nos uma cumplicidade e é altamente sedutor. Eu gosto de seduzir. E quando vi esses teus olhos verdes, fui eu que ficou seduzido, agora vingo-me! Diz Jonas com um sorriso de criança de orelha a orelha.
- Parvo!!! Diz ela corando. Chega de conversa, tenho mais trabalho para fazer e outros malucos para aturar. Põe-te bom!
- Ana! Chama Jonas com um sorriso. Não tenho direito a beijinho de adeus!
Ana abriu os olhos de espanto, não esperava este rápido desenvolvimento, tinha sido apanhada de surpresa. Corou e apenas respondeu com a primeira coisa que lhe veio á cabeça.
- Nunca com a barba por fazer!! E saiu batendo com a porta.
Jonas sorriu, a rapariga agradava-lhe, era bonita sem ser uma estampa, tinha um olhar doce e meigo que o encantava, tinham sido aqueles grandes olhos verdes que o tinham seduzido. E Jonas começou a desenhar todos os cenários possíveis para uma futura relação até que adormeceu, já a noite ia longa.
Lá em cima, no escuro da noite, as estrelas brilhavam intensamente.
24 de Maio de 2015
terça-feira, 14 de abril de 2015
As Pontes
As Pontes de Madison são um conto,
eu gosto de contos
Não estou em Madison
Nunca estarei em Madison
Nunca farei um conto
Resta-me a ponte
Olho para o azul das águas
Que correm, livres
Tristes
Debaixo da ponte
Olho, oiço música
E o azul passa pela minha alma
Triste, melancólico
Vida a correr, azul
Desaguando no nada
Amanhã cor de cinza
Chegando ao negro
Da escuridão
Alma negra
De dor
11 de Abril de 2015
segunda-feira, 6 de abril de 2015
Amor e uma cabana
De sorriso anafado ela chega
Esgar sacana usando capulana
Um amor e uma choupana
Talvez em Copacabana
Entre numa cabana
E perca a cabeça
Com uma catana
5 de Abril de 2015
segunda-feira, 22 de dezembro de 2014
A Pérola
Longe, lá longe está ela
Sinto sua falta, seu calor
Sorriso cristalino, doce
Ostra fugidia que me encanta
Longe do meu ardor
De mão estendida suplico
Dá-me o teu calor
Com um sorriso se afasta
Uma vida, uma espera
Esperança que se esfuma
No horizonte
Coração ardido suspira
Tua pérola perdida
Concha meu amor
Tão longe que tu estás
21 de Dezembro de 2014
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
AS MULHERES QUE EU DESEJO
Um sorriso que me encantou
Um toque que me faz sonhar
O menino que eu sou
Que só quer namorar
Poeta da treta
De rima de pé quebrado
Apaixona-se, enamora-se
Esta, aquela, aqueloutra
Não são todas mas são aquelas
Que com o seu sorriso
Me encantam
Que com a sua candura
Me seduzem
Como um cão abandonado
Fico num canto
Ganindo o abandono
De quem nunca fui
De quem nunca pensou
Excepto na minha loucura
Imaginei tal paixão
Quero-as a todas
Amo-as e desejo-as
Como um dia escrevi
Amo as minhas paixões
Uma forma de amar a vida
E uivando mansamente
Olho o mar, olho o horizonte
Esperando, sonhando
Encontrar tal sereia
Que me acolherá no seu colo
E adormeça finalmente.
16 de Novembro de 2014
quinta-feira, 29 de maio de 2014
A noite
Estou estoirado....
A dor não me larga, não me dá descanso. amansa ás vezes dando-me uma falsa esperança retornando então com uma vioência desnecessária.
E aqui estou eu, com ar macilento, madrugada alta, escrevendo a minha dor.
Cabeceio de sono, os olhos mal se mantêm abertos e ela lá está, á espera que as defesas caiam. muitas vezes denuncia a sua presença com guinadas fortes, mostrando sadicamente todo o seu poder.
Estou cansado mas sorriu e dou-lhe as boas vindas, é uma companheira de vida...
Vou ver se consigo dormir mais uns minutos, ela também necessita de descansar.
A dor não me larga, não me dá descanso. amansa ás vezes dando-me uma falsa esperança retornando então com uma vioência desnecessária.
E aqui estou eu, com ar macilento, madrugada alta, escrevendo a minha dor.
Cabeceio de sono, os olhos mal se mantêm abertos e ela lá está, á espera que as defesas caiam. muitas vezes denuncia a sua presença com guinadas fortes, mostrando sadicamente todo o seu poder.
Estou cansado mas sorriu e dou-lhe as boas vindas, é uma companheira de vida...
Vou ver se consigo dormir mais uns minutos, ela também necessita de descansar.
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