sábado, 29 de setembro de 2018

Estados de Espírito 1

# Navegar, 23 De Setembro De 2018 #

Noite negra de estrelas apagadas
Olho o meu interior e a escuridão
Está presente
A dor que me rodeia, fria

Suspiro e olho em volta
O ponteiro dos segundo parou
O tempo imerso numa neblina viscosa
Discorre

O peito arfa de dor
Peso de uma vida
Paira mortal, esperando
Asfixio, morro e estou vivo

O coração bate num solavanco
Mais um pedaço de história
De nada, de espera
Sufocante,

O sorriso brilha na lama
Envolvente
Viscosa
Descolorada
A memória de um sorriso
Outra batida de um coração
Desgastado
Moribundo

A saudade sorri, acena-me
Velha amante dos meus tempos
Abraça-me envolvendo-me
Hálito cálido de sabor as frutos
Memórias em turbilhão

Amores esquecidos
Sempre presentes
Mágoas sobreviventes
De naufrágios de uma barca
Envelhecida
Carcomida pelos vermes

Sorrio com a flor
Num campo, uma seara
No meio do nada
Ondulando ao sabor
Do destino

Chamas que bailam no horizonte
Inferno que se aproxima
Choro a raiva
Choro o destino
Dou um passo
Outra batida de coração
Outro segundo
Outra lágrima

O calor que me queima as faces
Invade o meu corpo
Ganha vida, renasço
Um beijo louco
Bebo desesperadamente
O cálice, o amor
Que se desvanece num tremor

Arfando no meio da selva
Estonteado de fome olha
A presa foge correndo
Sento-me, patas em fogo
Babando-me de corrosiva fome
Olhos vítreos no horizonte

Olho o horizonte e nada vejo
Sinto o vento acariciando minha face
Vento quente do deserto
Afaga-me, seca-me as lágrimas
De uma solidão eterna.

Estou louco, estou doente
Sinto a morte a beijar-me a alma
Quero amor e apenas tenho a morte por perto
As paixões desvaneceram-se no nada

Olho a noite e vejo as estrelas
Reconheço-as, brilham sorridentes
Estão longe, estico uma mão
E apenas sinto a carícia do vento

O sussurrar do vento, carícias lânguidas
Recordações de vida
Vidas que se extinguiram
Choro e nem um soluço cai

Estou só, inerte
Ouvindo música
Enlouquecendo lentamente
Desejando a paixão
Desesperando
Nada sentindo

Estou louco, desejo a loucura
Quero perder-me no seu regaço
Sentir o seu calor, o seu amor
Quero amá-la com o desespero
Da última vez
Está longe
Não alcanço
Estendo a mão
Dou um passo
Em vão
Inerte

Olhando o fim da savana
A hiena olha e gargalha
A sus frustração
A presa que lhe foi roubada
Pelo destino feroz
Afasta-se trotando
Gargalhando a sua miséria

Á sombra do arbusto sonha
Jovem animal trotando
Percorrendo as selvas do mundo
Desajeitado, tropeçando
Nas pedras do caminho
Escapando a armadilhas
Afastando-se, perdendo-se
Humilhado num canto cheirando a podre
Sentindo a dor na carne
Dor que aprendeu a suportar
Aquela que foi a derradeira amiga
Fiel companheira
De uma vida

Largado no universo em turbilhão
Um pequeno planeta desajeitado
Rodopiando á volta do seu sol
Que o queimou, que o secou

O pequeno sorriso que espreita
Trazendo luz no meio da tempestade
O brilho que afasta a escuridão
A alma com um brilho novo
Rejuvenesce
A alegria, a vida exuberante
De um jardim em flor
Vivo, ronrono num sonho

Acordado de novo paraliso
Fecho tudo numa caixa
Uma caixa do tamanho do coração
Uma lágrima teima em saltar
Estou só outra vez

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Nobita escreveu: