terça-feira, 9 de março de 2010

Abandono

O choque foi brutal
A adrenalina correu como fogo
Incendiando meu coração
O medo cresceu, negro, viscoso
Abri os olhos
E o abismo sorriu, imenso
Mergulhei

Perdido na escuridão
O terror absoluto
O nada
A espera
Do nada
O tempo corria ao som da respiração
Cada golfada a morte que chegava
Surda
Lenta
Negra

O terror gritava
De medo
De solidão

Tão longe uma estrela brilhou
E mais outras
Explodindo no meu cérebro
Todo um universo
Gritando
Está cheio de estrelas!!!!


Jimmy, 9 de Março de 2010

quarta-feira, 3 de março de 2010

.....

Foi um dia especialmente difícil...

Uma Vida

Estou-me cagando, a dor é minha
Se quero dar um tiro na cabeça, posso faze-lo, pelo menos metaforicamente.
Hoje não me seria difícil, a bala já a tenho
Só me falta o amanhã que existe, que ainda brilha
Mas que ela está cá, está.
A puta da dor que não passa, que me corrói as entranhas
Que me destrói
Merda das lágrimas que teimam em aparecer
Merda de sorriso que teima em morrer
Merda para tudo que estou farto de sofrer
A puta da dor que não quer morrer
Só me resta viver
Uma dor para escrever
Uma vida
Uma dor

Jimmy, 3 de Março de 2010

Que se lixe o amanhã...

Numa sala obscura por uma tarde morta
Numa mesa observo
Toda uma vida a escoar-se
Lenta e dolorosa
Objecto escuro e letal
Frio numa mão quente
Que amou, que desejou
Olho para o exterior já escuro
Onde os raios de sol se põem
Suspiro e bebo um trago
Álcool amargo que queima
Entranhas corroídas pela dor
Objecto duro e frio
Arrepio que atravessa minha espinha
Que se lixe o amanhã
E carreguei no gatilho

Jimmy, 3 de Março de 2010

terça-feira, 2 de março de 2010

Os Sonhos

As nuvens enovelam-se, cor de chumbo
Ar frio e agreste cortava
Caminhava na vereda de pedra solta
Coração aos saltos querendo sair
Golfadas de ar arfando nuvens de vapor
Sonhos desfeitos
De passos lentos indiferente á chuva
Que caía, morrinha e gélida
Escorrendo faces lívidas abaixo
Arrastando pedras de sal
Sonhos traídos
Coração palpitando, chorando
Lágrimas de sangue correndo espessas
Afogando soluços
Caminhava sonhando vidas perdidas
O som dos passos esmagando o cascalho
Ecoava na tarde chuvosa recordando
Doces momentos, doces sabores
Transformados agora em fel
Sonhos mortos
Rosa morta e seca jazendo empoeirada
Nalguma jazida esquecida
Atirada para os recantos de uma memória
Que não sonha nem pranta
Sonhos enterrados
Devorados por viscosos vermes
Retorcendo-se num bacanal sofrego
Fazendo em nada
Os sonhos de uma vida

Jimmy, 2 de Março de 2010

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Um banco na marginal

Na marginal, num banco
Sonho, suspiro
A dor sempre presente
A saudade eterna
Mar encapelado lança salpicos de espuma
Sabor a sal molha os meu lábios
Sentado olho o horizonte
Onde a saudade se espraia
O sol põe-se escondendo minhas lágrimas
Enchendo a minha alma de negrura
Foi-se, está no Céu
Morreu, está no meio das estrelas
Brilho mortiço de um sorriso
Noite que avança, escura e negra
Cobre meu espírito de saudade
Sentado num banco da marginal
Choro

Jimmy, 25 de Fevereiro de 2010

O Cão

Dia nublado e frio
Ando tropego coxeando
A fome assola meu estomago
Arfo de dor e medo
Patas gretadas por imensa feridas
Pisam chão molhado e frio
Chove e um manto gelido cobre meu coração
Restos nauseabundos jazem no chão
Enxames de moscas verdes vareja á sua volta
A fome dói saciada no meio de vómitos
Matilha passa ao longe
Fêmea cheirosa sendo perseguida
Esboço um movimento
Reminiscencias de um passado longíquo
Sendo brutalmente travado
Fauces ensanguentadas avisam
Com surpresa vejo
Sangue escuro escorrendo
A sonolência começa a invadir meu espírito
Recordações lá ao longe
Jovem cachorrinho correndo
A vista turva cada vez mais
Procuro um abrigo
Está frio
Escondo o focinho no meio das patas
Aqueço-as com o meu bafo
O frio aperta
O sono que invade
A morte que chega

Jimmy, 25 de Fevereiro de 2010