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quarta-feira, 1 de abril de 2015

Simplesmente viver

Fogo líquido que me percorre as veias
Correm-me por dentro, enlouquece-me
Arfo, aspiro o ar sofregamente
E o tempo não se mexe
E a vida não acontece
Loucura, desejo, ânsia
Coração batendo ao ritmo da música
Que oiço
Que escuto
Que devoro loucamente
Quero gritar
Quero amar
E a vida foge
E a vida não acontece
Grito esmagado no peito
Inerte
Apenas um murmúrio ao vento
Perdendo-se
Na tempestadade do meu espírito
Nas vagas cinzentas da solidão
Noites escuras olhando as estrelas
Todas brilhantes, todas longe
Inacessíveis, intocáveis
Sentado
Ouvindo a loucura
Esboço um esgar de sorriso
Amanhã será outro dia
Um dia serei sol


1 de Abril de 2015
(e não é mentira)

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Sem título

Barulho
Música, o raio do Jimi Hendrix
Barulho de rodados
E não sai nada, vazio de ideias
Cheias de emoções
Sentimentos a voarem
Gaivotas a voarem, grasnando
Gritando e bulhando
Pedaço de peixe infecto
Morto na agonia, as dores afogando
Num vómito, num estertor
Num último sorriso
Num último olhar
Os rodados não páram
A música não pára
Gritam palavras com harmonia
Harmonia de vida, de morte, de sofrimento
Morto por outros sucumbe
Suspira e renasce
Amanhã é outro dia

16 de Abril, 2014