terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Rosa do Deserto


Nuvens enovelam-se negras
espírito maldito que existes
nos incêndios de fogo negro
nas feridas abertas pelas chamas
o choro de uma criança encolhida
abrigada da tempestade vermelha
sangue que sobe aos céus na forma de chama
criança que chora lágrimas amargas
de dor
flor árida no deserto
cresce imortal
veneno mortal que queima
uma mente enlouquecida em fogo
de criança só
abandonada
triste
chora a perda de tal rosa
do deserto, de pedra
fria e árida
amarga
cansada a criança deita-se
olhando o azul da tristeza


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Um país de merda



Um país de merda
rastejante de gente pequena
obscura e mesquinha
outrora grande num mundo pequeno
espalhando a sua semente
a sua força
restando os fracos e os ratos
ruminando os restos, os ossos
de esqueletos e corpos de antigas guerras
restando antigas glórias, bolorentas
falsos profetas e falsos deuses
religiões pagãs como se alguma houvesse
divisões e intolerâncias os ratos pelejam
país de baratas onde o sangue é verde
bolorento e pútrido
vermelho de dor, da cor de uma falsa flor
país sem rumo, ao sabor dos ventos
morre moribundo
pedante no seu autismo
encolhido no seu canto uma pequena chama treme
morrendo sem forças
golpe fatal no furúnculo de uma nação
extirpando o cancro
renovando o sangue
morrendo tal ideia, farto de lutar
por um país de merda

10 de Fevereiro de 2012

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Sentado


Sentado, de olhos cerrados
revejo
minha vida de tormentas e calmarias
tempestades que tal como Catrineta
percorro sem rumo nem destino
sonho com mares azuis e quentes
de olhos cerrados sinto o frio
do destino, da incerteza
o vazio, o nada
o cinzento de uma lua estéril
que me fascina pelo seu brilho
que ilumina a minha noite
e me conduz á minha perdição
sentado abro os olhos
oiço a canção
frémitos de dor
moral, corrosiva
percorrendo minha alma
lágrimas de desalento
amargas
brotam de um soluço
sentado estou vivo
mais um dia, mais uma vida
que se escoa
inutilmente

28 de Janeiro de 2012

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Coma


A luz filtrando pelas janelas
ilumina meu rosto adormecido
rictos de dor mascaram minha cara
olhos ardentes se abrem
ofuscados pela luz
que ilumina meu espírito
anos de sono se diluem
na dor
no conhecimento
a vida que perdi
o amor que morreu.
Desperto finalmente
embrutecido
e só quero voltar a dormir
voltar a sonhar
e morrer
sorrindo

28 de Janeiro de 2012

Olhos tristes....


Um sorriso triste me olha
escondendo a dor
o abandono
uma tristeza ensombra
rosto sereno
me olha
olhar perdido
de quem sofre
por quem ama
uma lágrima escorre
toldando tal sorriso
que desvanece
num olhar
que se perde
fundo
nos seus sentimentos

28 de Janeiro de 2012

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Num piscar de olhos


num piscar de olhos
um dia que morre
a noite que me cobre
fria e acolhedora
um sorriso de dedos gélidos
aperta minha alma
num piscar de olhos
tudo se desvanece
a morte e o sonho
resta a solidão
resto eu
e um dia que apenas morre

Ela


Eu e aquela que nunca me abandona
Aquela que sorri para mim
Acaricia-me quando choro
Ampara-me quando caio
Companheira fiel
Que serás minha
Eternamente